Escrito por André Casaca·Real Estate Manager·2 min de leitura
Bem-vindos a 2023!
A pergunta que todos fazem
O mês de Janeiro já se passou mas as dúvidas e incertezas do último trimestre de 2022 continuam.
Para onde vai o nosso mercado? Continua em sentido ascendente? Está estabilizado? Começa a apresentar uma tendência descendente?
Tenho ouvido e discutido estas questões vezes sem conta.
Vivemos um clima de “incerteza aparente” e existem demasiadas variáveis e transformações que não nos facilitam as análises e trazem-nos ainda mais dúvidas. No entanto importa salientar que não é possível analisar “todo o mercado da mesma forma”. Existem diferentes classes de ativos que têm comportamentos e dinâmicas diferentes. Não pode ser chapa 5.
De todo o modo, de forma ligeira e descomplicada, cada vez mais acredito que tudo DEPENDE da PERSPETIVA e do INTERESSE.
Cada stakeholder com o seu interesse
Ora vejamos:
- O Vendedor continua a dizer que o mercado vai subir.
- O Comprador afirma que o mercado vai descer.
- O Analista entende que o mercado está a estabilizar ou a equilibrar.
- O Investidor percepciona um maior nível de risco e aumenta o seu custo do capital.
- O Promotor acredita que é preciso criar Projetos Imobiliários que se adaptem às necessidades do mercado.
- A Banca aumenta taxas de juro para controlar a inflação.
- A inflação continua descontrolada.
- As pessoas precisam de casas.
- As empresas precisam de escritórios.
- O comércio precisa de lojas e armazéns.
- Os Turistas precisam de alojamentos.
- O Governo aumenta impostos.
- O Ambiente precisa de ser tratado de melhor forma.
Ou seja, cada “Stakeholder” com o seu interesse. Cada um tem a sua análise. Cada um apresenta a sua perspetiva. Será que todas são válidas?
A melhor resposta que encontro para o título deste texto é um redondo, DEPENDE.
Esta incerteza é, a meu ver, o grande motor do mercado nesta altura.
Não vale a pena comparar Portugal com outros países. Não vale a pena encontrar justificações para algumas dinâmicas que temos observado. Não vale a pena comparar com os dados do passado. É tudo novo.
Transformação: a palavra do ano
Se tivesse que escolher uma palavra para o Setor Imobiliário em 2023, escolheria TRANSFORMAÇÃO.
Há cerca de 10 anos escolhi o setor imobiliário como atividade profissional e pensava que sabia algumas coisas. Na verdade, não sabia nada.
Hoje, consigo assumir que quanto mais aprendo, mais preciso de aprender. Continuo a saber muito pouco.
A transformação da Indústria é muito mais rápida do que aquilo que nos apercebemos. Será que vivemos uma “NOVA ERA DOS DESCOBRIMENTOS” no Setor Imobiliário?
Acredito plenamente que sim mas, tudo DEPENDE da PERSPETIVA E DO INTERESSE.
Perguntas frequentes
O mercado imobiliário está a subir, a estabilizar ou a descer?
A resposta do artigo é "depende", da perspetiva e do interesse de quem analisa. Demonstra-o listando posições contraditórias e todas coerentes com o interesse de cada parte: o vendedor diz que vai subir, o comprador que vai descer, o analista entende que está a estabilizar ou a equilibrar, e o investidor perceciona maior risco e aumenta o seu custo de capital.
Pode analisar-se todo o mercado imobiliário da mesma forma?
Não. O artigo é explícito em que existem diferentes classes de ativos com comportamentos e dinâmicas diferentes, e que "não pode ser chapa 5". É essa heterogeneidade, somada a demasiadas variáveis e transformações em curso, que dificulta as análises e gera mais dúvidas.
Que palavra define o setor imobiliário em 2023, segundo o artigo?
Transformação. O autor afirma que a transformação da indústria é muito mais rápida do que aquilo de que nos apercebemos e chega a perguntar se não estaremos a viver uma "nova era dos descobrimentos" no setor imobiliário, respondendo que acredita plenamente que sim, mas que tudo depende da perspetiva e do interesse.
Faz sentido comparar o mercado português com o passado ou com outros países?
Segundo o artigo, não vale a pena comparar Portugal com outros países, nem procurar justificações para algumas das dinâmicas observadas, nem comparar com dados do passado, porque "é tudo novo". A incerteza resultante é apresentada não como um obstáculo mas como o grande motor do mercado naquele momento.
Que posição assume o autor sobre o seu próprio conhecimento?
De humildade explícita: relata ter escolhido o setor imobiliário como atividade profissional há cerca de dez anos pensando que sabia algumas coisas, e conclui que na verdade não sabia nada. Acrescenta que hoje assume que quanto mais aprende, mais precisa de aprender, e que continua a saber muito pouco.
Um abraço e até breve
Laplace




