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O Mercado Visto da Rua: “SOBE, MANTÉM-SE OU DESCE?”

O Mercado visto da Rua

André Casaca

Fotografia a preto e branco de um homem de colete acolchoado, de perfil, diante de uma casa rural devoluta de paredes rebocadas, telhado de telha e chaminé alta.
Opinion Articles6 Fevereiro 2023

Escrito por André Casaca·Real Estate Manager·2 min de leitura

Bem-vindos a 2023!

A pergunta que todos fazem

O mês de Janeiro já se passou mas as dúvidas e incertezas do último trimestre de 2022 continuam.

Para onde vai o nosso mercado? Continua em sentido ascendente? Está estabilizado? Começa a apresentar uma tendência descendente?

Tenho ouvido e discutido estas questões vezes sem conta.

Vivemos um clima de “incerteza aparente” e existem demasiadas variáveis e transformações que não nos facilitam as análises e trazem-nos ainda mais dúvidas. No entanto importa salientar que não é possível analisar “todo o mercado da mesma forma”. Existem diferentes classes de ativos que têm comportamentos e dinâmicas diferentes. Não pode ser chapa 5.

De todo o modo, de forma ligeira e descomplicada, cada vez mais acredito que tudo DEPENDE da PERSPETIVA e do INTERESSE.

Cada stakeholder com o seu interesse

Ora vejamos:

  • O Vendedor continua a dizer que o mercado vai subir.
  • O Comprador afirma que o mercado vai descer.
  • O Analista entende que o mercado está a estabilizar ou a equilibrar.
  • O Investidor percepciona um maior nível de risco e aumenta o seu custo do capital.
  • O Promotor acredita que é preciso criar Projetos Imobiliários que se adaptem às necessidades do mercado.
  • A Banca aumenta taxas de juro para controlar a inflação.
  • A inflação continua descontrolada.
  • As pessoas precisam de casas.
  • As empresas precisam de escritórios.
  • O comércio precisa de lojas e armazéns.
  • Os Turistas precisam de alojamentos.
  • O Governo aumenta impostos.
  • O Ambiente precisa de ser tratado de melhor forma.

Ou seja, cada “Stakeholder” com o seu interesse. Cada um tem a sua análise. Cada um apresenta a sua perspetiva. Será que todas são válidas?

A melhor resposta que encontro para o título deste texto é um redondo, DEPENDE.

Esta incerteza é, a meu ver, o grande motor do mercado nesta altura.

Não vale a pena comparar Portugal com outros países. Não vale a pena encontrar justificações para algumas dinâmicas que temos observado. Não vale a pena comparar com os dados do passado. É tudo novo.

Transformação: a palavra do ano

Se tivesse que escolher uma palavra para o Setor Imobiliário em 2023, escolheria TRANSFORMAÇÃO.

Há cerca de 10 anos escolhi o setor imobiliário como atividade profissional e pensava que sabia algumas coisas. Na verdade, não sabia nada.

Hoje, consigo assumir que quanto mais aprendo, mais preciso de aprender. Continuo a saber muito pouco.

A transformação da Indústria é muito mais rápida do que aquilo que nos apercebemos. Será que vivemos uma “NOVA ERA DOS DESCOBRIMENTOS” no Setor Imobiliário?

Acredito plenamente que sim mas, tudo DEPENDE da PERSPETIVA E DO INTERESSE.

Perguntas frequentes

  • O mercado imobiliário está a subir, a estabilizar ou a descer?

    A resposta do artigo é "depende", da perspetiva e do interesse de quem analisa. Demonstra-o listando posições contraditórias e todas coerentes com o interesse de cada parte: o vendedor diz que vai subir, o comprador que vai descer, o analista entende que está a estabilizar ou a equilibrar, e o investidor perceciona maior risco e aumenta o seu custo de capital.

  • Pode analisar-se todo o mercado imobiliário da mesma forma?

    Não. O artigo é explícito em que existem diferentes classes de ativos com comportamentos e dinâmicas diferentes, e que "não pode ser chapa 5". É essa heterogeneidade, somada a demasiadas variáveis e transformações em curso, que dificulta as análises e gera mais dúvidas.

  • Que palavra define o setor imobiliário em 2023, segundo o artigo?

    Transformação. O autor afirma que a transformação da indústria é muito mais rápida do que aquilo de que nos apercebemos e chega a perguntar se não estaremos a viver uma "nova era dos descobrimentos" no setor imobiliário, respondendo que acredita plenamente que sim, mas que tudo depende da perspetiva e do interesse.

  • Faz sentido comparar o mercado português com o passado ou com outros países?

    Segundo o artigo, não vale a pena comparar Portugal com outros países, nem procurar justificações para algumas das dinâmicas observadas, nem comparar com dados do passado, porque "é tudo novo". A incerteza resultante é apresentada não como um obstáculo mas como o grande motor do mercado naquele momento.

  • Que posição assume o autor sobre o seu próprio conhecimento?

    De humildade explícita: relata ter escolhido o setor imobiliário como atividade profissional há cerca de dez anos pensando que sabia algumas coisas, e conclui que na verdade não sabia nada. Acrescenta que hoje assume que quanto mais aprende, mais precisa de aprender, e que continua a saber muito pouco.

Um abraço e até breve

Laplace

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