Escrito por André Casaca·Real Estate Manager·3 min de leitura
Além de ser o meu “sustento”, o mercado imobiliário é de facto uma paixão.
O que aprendi a resolver problemas complexos
Tenho tentado aprofundar o meu conhecimento ao longo dos últimos anos, colocando em prática muitas ideias que vou concebendo. Outras, ainda não tive coragem suficiente para avançar. Poderia ter feito muito mais, é um facto. No entanto, também poderia ter feito muito menos.
Aprendi muito com a resolução de problemas complexos. Estas experiências foram transformadoras e permitiram verificar na prática a ideia que fui concebendo acerca das relações entre os vários intervenientes do Setor. Vivemos um mercado onde a desinformação e as meias-verdades são “a boa prática e o atalho para sucesso financeiro”. Os exemplos de inconsistência acontecem em todas as atividades que compõem o setor, colocando a produtividade e eficiência em níveis muito baixos. A velha máxima “É meio mundo a enganar outro meio mundo”, assenta que nem uma luva.
A desinformação como prática corrente
Sempre fui crítico relativamente à forma como o mercado (no geral) comunica, informa e opera. Confesso que não consigo compreender o que se entende por “criação de valor”. Fazer dinheiro a todo o custo, “tendo em conta a desinformação de outras pessoas”, não me parece ser o melhor princípio de atuação mas, respeito.
Nos últimos meses, é notória uma quebra do dinamismo do mercado imobiliário a nível global. Vários factores macroeconómicos, políticos e as próprias estatísticas enviesadas a que temos acesso em Portugal demonstram isso mesmo.
Um país com condições e uma visão curta
Por outro lado, temos um país fantástico, com condições fantásticas para fazer evoluir o Setor. Destaco a falta de oferta de ativos (dos diversos segmentos) que corresponda às necessidades cada vez mais evidentes da procura.
Não percebo de política e gestão ainda estou a aprender. No entanto, arrisco afirmar que a nossa visão é muito curta no que diz respeito ao setor imobiliário. Vivemos de fábulas e histórias. Parece que não importa discutir a realidade de forma séria e transparente. Julgo que esta será uma das principais lacunas (a par da falta de estabilidade política, fiscal, etc) na criação de condições para atrair mais capital, que permita criar valor a sério, respondendo às necessidades das PESSOAS/EMPRESAS/UTILIZADORES.
Num mundo onde a transferência de informação é instantânea, faz sentido continuar com as mesmas formas de “comunicar, informar e operar”?
O risco de sair da norma
Há uns dias discutia este assunto com um colega que muito prezo e muito me tem ensinado. Temos ideias muito distintas. Foi uma boa discussão e as conclusões foram similares. É muito arriscado “sair da norma” no que diz respeito à forma de “comunicar, informar e operar” no setor imobiliário. No entanto, é essa dificuldade que nos vai inspirando a inventar, experimentar, cair e levantar. Andamos mais devagar, mas com um propósito inabalável.
O futuro já se iniciou há alguns anos. A transformação da indústria é enorme. Não nos deixemos enganar pela melancolia do “mais do mesmo porque sempre funcionou.”
Até breve,
André Casaca
Perguntas frequentes
Que crítica faz o artigo ao mercado imobiliário português?
Que é um mercado onde a desinformação e as meias-verdades se tornaram a prática corrente e o atalho para o sucesso financeiro, com exemplos de inconsistência em todas as atividades que compõem o setor, colocando a produtividade e a eficiência em níveis muito baixos. O autor recorre à máxima "é meio mundo a enganar outro meio mundo" para descrever a situação, e afirma ser crítico da forma como o mercado comunica, informa e opera.
O que o autor entende por "criação de valor"?
O artigo assume não compreender o que o mercado entende por criação de valor, e rejeita explicitamente a leitura corrente: fazer dinheiro a todo o custo aproveitando a desinformação de outras pessoas não lhe parece o melhor princípio de atuação, ainda que respeite quem o faça. A criação de valor "a sério" é associada a responder às necessidades das pessoas, empresas e utilizadores.
Que oportunidade identifica o artigo no mercado português?
A falta de oferta de ativos, nos diversos segmentos, que corresponda às necessidades cada vez mais evidentes da procura. O autor descreve Portugal como um país fantástico com condições fantásticas para fazer evoluir o setor, apesar de notar uma quebra do dinamismo do mercado imobiliário a nível global por fatores macroeconómicos e políticos.
É arriscado comunicar de forma diferente no setor imobiliário?
Sim, e o artigo assume-o: relata uma discussão com um colega em que, partindo de ideias muito distintas, ambos chegaram a conclusões semelhantes, é muito arriscado "sair da norma" na forma de comunicar, informar e operar no setor. A leitura do autor é que é precisamente essa dificuldade que inspira a inventar, experimentar, cair e levantar, andando "mais devagar, mas com um propósito inabalável".
Que aviso deixa o artigo sobre o futuro do setor?
Que o futuro já começou há alguns anos e a transformação da indústria é enorme, e que não nos devemos deixar enganar pela "melancolia do mais do mesmo porque sempre funcionou". Coloca ainda a pergunta de fundo: num mundo onde a transferência de informação é instantânea, faz sentido continuar com as mesmas formas de comunicar, informar e operar?
Um abraço e até breve
Laplace




