Escrito por André Casaca·Real Estate Manager·3 min de leitura
📍 22/04/2026, Lisboa
O resumo do trimestre: crescer dói
O resumo do 1º trimestre é simples: nem tudo foi mau, mas crescer dói.
Já me habituei a que o primeiro trimestre seja exigente e imprevisível. Aliás, a única coisa previsível é que, regra geral, corre mal.
2026 não fugiu à regra.
Crescemos ligeiramente em faturação face a 2025 e o pipeline até foi interessante.
Mas faltaram sistemas e organização. E como sabemos, os erros pagam-se caro, refletiram-se diretamente na produtividade e na eficiência da equipa.
O que falhou fui eu: clareza e consistência
E a verdade é esta: não foi o trimestre que falhou, nem a equipa. Fui eu.
Faltou-me clareza e consistência.
Durante algum tempo andei com a dúvida entre crescer ou consolidar. Hoje, já não tenho.
A prioridade é clara: organizar, estruturar, ganhar consistência.
Construir sistemas e encontrar bons parceiros, com quem possamos crescer em conjunto.
Não é algo que se resolva de um dia para o outro. Não é fácil. Mas é prioridade.
Porque quando tentamos fazer demasiadas coisas ao mesmo tempo, em contextos e ritmos diferentes, conseguimos aguentar… por algum tempo.
Mas há sempre um ponto em que o “cérebro” entra em colapso, e ficamos bloqueados.
Como diz o meu avô: o que não nos mata torna-nos mais fortes. E, no meio do caos, nem tudo foi mau.
A aposta na valorização patrimonial
Entre os vários processos que temos em curso, destaco a aposta na valorização patrimonial.
Em parceria com o João Franco e o gabinete Antifrágil – Arquitectura para Promotores temos apostado na valorização de terrenos e edifícios com potencial de desenvolvimento imobiliário, assumindo risco numa fase onde existe potencial, mas ainda não há certezas.
O impasse entre proprietários e investidores
Os proprietários não querem investir “porque quem vai comprar é que sabe o que quer fazer”.
Os investidores e promotores não querem comprar “sem ter a certeza do que podem fazer”.

Apesar das ineficiências e das “dores” associadas à fase de consolidação e crescimento que atravessamos na Laplace Real Estate Intelligence, o 1º trimestre de 2026 também nos permitiu participar em diferentes projetos, distribuídos por várias geografias, tipos de processo, fases de desenvolvimento e níveis de complexidade.

Como sabem, no setor imobiliário, os números são importantes mas não contam a história toda.
A realidade é que estes processos estão longe de ser lineares.
Há condicionantes urbanísticas para “desmontar”, risco para gerir, decisões críticas para tomar e incerteza até ao final.
Risco, incerteza e oportunidade
Se, por um lado, conseguimos construir pipeline, por outro aumentámos a nossa exposição ao risco e à imprevisibilidade.
Faz parte.
No entanto, toda a gente quer e procura previsibilidade. Será que estamos errados?
Acreditamos que é na incerteza que surgem as melhores oportunidades.
A questão é: estamos dispostos a assumir esse risco? E por quanto tempo?
A resposta não é fácil.
Mas cada vez acredito mais que, se construirmos as relações certas, com os parceiros certos, a probabilidade de transformar risco em oportunidade aumenta, e muito.
Até breve,
André Casaca
Perguntas frequentes
Como correu o 1º trimestre de 2026 para a Laplace?
Houve crescimento ligeiro de faturação face a 2025 e pipeline interessante, mas faltaram sistemas e organização, o que se refletiu na produtividade e na eficiência da equipa. O resumo do próprio autor: nem tudo foi mau, mas crescer dói.
Qual é a prioridade da Laplace para 2026?
Organizar, estruturar e ganhar consistência: construir sistemas e encontrar bons parceiros com quem crescer em conjunto. A dúvida entre crescer ou consolidar foi resolvida a favor da consolidação.
O que é a aposta na valorização patrimonial?
É a valorização de terrenos e edifícios com potencial de desenvolvimento imobiliário, em parceria com João Franco e o gabinete Antifrágil – Arquitectura para Promotores, assumindo risco numa fase em que existe potencial mas ainda não há certezas.
Que impasse existe entre proprietários e investidores?
Os proprietários não querem investir porque consideram que quem compra é que sabe o que quer fazer; os investidores e promotores não querem comprar sem ter a certeza do que podem fazer. É esse bloqueio que a valorização prévia procura desfazer.
Porque é que a Laplace aumenta a exposição ao risco?
Porque acredita que é na incerteza que surgem as melhores oportunidades. O artigo é honesto sobre o custo: construir pipeline aumentou também a exposição ao risco e à imprevisibilidade, e a questão em aberto é por quanto tempo.
Um abraço e até breve
Laplace




